Alcançar uma boa forma física é o objetivo de muitos praticantes de esportes amadores. Atividades como caminhada, tênis e natação têm ganhando cada vez mais adeptos na região, contando com grupos especializados na prática destes esportes. Em Divinópolis não é diferente. Além dos clubes, que oferecem espaço para a realização destas atividades, muitos pontos da cidade trazem uma atração para a prática esportiva, como o Parque da Ilha e o calçadão da Rua Pitangui, no bairro Bom Pastor.
Vinicius Lima é atleta amador. Começou praticando caminhada para melhorar sua performance, há seis anos. Hoje, aos 27 anos e após perder 25 kg, compete em corridas de rua para manter sua forma física. Porém, iniciou as atividades sem acompanhamento médico prévio e sofreu com isso posteriormente. “Cheguei a fazer apenas exames cardiovasculares, para que eu ingressasse numa academia. Mas isso foi alguns meses depois de iniciar a caminhada e começar a sentir algumas dores no joelho”, conta Vinicius. Ao contrário de muitos pacientes, o corredor preferiu marcar uma consulta, ao invés de fazer tratamentos convencionais à base de relaxantes musculares. “Fui informado de que eu estava caminhando errado, apesar de sentir a diferença no corpo. Tive que comprar outro tênis e diminuir a intensidade da corrida”, revelou.
A prática inadequada de alguns esportes tem virado rotina no país. De acordo com o Dr. Leonardo Catizani, ortopedista do Instituto Armus, em Divinópolis, o não acompanhamento médico faz com que a pessoa corra sérios riscos de sofrer com lesões articulares e processos inflamatórios, além de outros problemas mais graves, como a cartilagem. “Como não é feito um trabalho ideal com a musculatura para a prática desses exercícios, essas lesões podem levar a situações como rompimento dos ligamentos, que é muito visto no futebol, por exemplo”. Mesmo com todo o trabalho de conscientização que é feito atualmente, as pessoas não têm buscando aparato necessário nas clínicas médicas antes de iniciarem qualquer atividade física. “Geralmente, procuram atendimento depois que o problema se instale, e esse número de procuras tem aumentado”.
Assim como no caso de Vinicius, o ortopedista destaca que, em questão de lesões, está cada vez mais difícil distinguir um atleta amador de um profissional, visto que as pessoas estão praticando esporte com maior intensidade. “Por um lado, é ótimo que muita gente tenha se atentado à importância do esporte. Por outro, praticar de forma inadequada pode trazer sérios danos à saúde”, afirma Catizani.

AUTOMEDICAÇÃO

Segundo levantamento realizado pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), entrevistando 1.480 moradores de 12 capitais brasileiras, 76,4% dos brasileiros praticam a automedicação. Deste número, 72% afirmam que acreditam em indicações feitas por parentes, 42,4% confiam nas indicações de amigos, 17,5% de colegas de trabalho ou estudo e 13,7% preferem confiar nas indicações de vizinhos. Vale ressaltar que aumentar a dosagem de um remédio receitado por médicos também é considerado automedicação, e, destas 1.480 pessoas, 32% tomam mais do que o necessário.

Visto como o tratamento mais eficaz e rápido pelos pacientes, a utilização de relaxantes musculares após sofrer qualquer incômodo provindo das atividades físicas pode agravar ainda mais a situação. “É um método que, na teoria, avança o tratamento, mas que aumenta consideravelmente a tendência em ter lesões mais graves futuramente. A automedicação pode tornar uma situação simples em lesão grave, pois a dor foi tratada, mas a lesão ficou em segundo plano”, finaliza Dr. Leonardo Catizani.