Dor de cotovelo? Não, este artigo não é sobre o sofrimento causado por desilusão amorosa… quem não se lembra de “Felicidade foi-se embora…e a saudade que mora no peito”? A dor aqui tratada, é literalmente “no” cotovelo e a felicidade pode ir embora quando a dor ocorre nesta parte anatômica que liga o braço ao antebraço. A dor no cotovelo pode dificultar a execução de atividades simples, como levar uma colher à boca. Ainda, pode vir acompanhada de rigidez.

Para que entendam melhor o que pode levar a esses sintomas de dor e rigidez, vamos conhecer um pouco sobre o cotovelo, a começar por sua anatomia, suas principais funções, disfunções (quando há impedimento dos movimentos) e lesões comuns.

Anatomia do cotovelo

Ao contrário do que muitos acreditam, o cotovelo não é composto pela junção de dois ossos, e sim, de três ossos. Confira a radiografia do braço e ante-braço na imagem.

radiografia mostrando os 3 ossos do cotovelo

Úmero (osso do braço), ulna (osso mais largo do antebraço) e rádio (osso mais fino do antebraço)

Qual a função de um cotovelo “saudável” e quais são os movimentos que executa?

É importante saber que, para realizar diariamente as inúmeras tarefas com as mãos, dependemos de ombros e cotovelos móveis e estáveis. Na verdade, existe uma interação entre ombro, cotovelo, braço, antebraço e punho.

O cotovelo tem como principal função efetuar movimentos que podemos comparar aos de uma “dobradiça”. Ele estica zero grau e dobra até 140 graus, em média. Além desses movimentos de extensão e flexão, ele também realiza movimentos de pronação e supinação, que são os giros da palma da mão para baixo e para cima, a exemplo do que mostra a imagem.

A capacidade de dobrar e esticar o cotovelo é chamada de “arco de movimento”. Quando há rigidez no cotovelo, a pessoa não consegue um arco de movimento funcional.  Terá dificuldade em alcançar um ângulo de abertura entre 30 e 130 graus. Testou o seu?

Causas da disfunção, impedimento do movimento e tratamentos

A limitação dos movimentos ou rigidez do cotovelo pode acontecer por várias causas, dentre elas:

– deformidades ósseas;
– imobilização prolongada;
– fraturas ou luxações e complicações decorrentes;
– presença de osteofitose (também conhecida como “bico de papagaio”);
– artrose (degeneração da cartilagem);
– fibrose dos tecidos que revestem suas articulações;
– hipertrofia cápsulo-ligamentar.

Na maioria dos casos, o primeiro degrau de tratamento consiste da fisioterapia e o uso de medicamentos para aliviar dores e tratar inflamações. Às vezes, em casos mais complexos, o paciente pode ser encaminhado para a terapia ocupacional. A cirurgia é indicada nos casos em que não há a recuperação das funções do cotovelo, a diminuição do desconforto ou a melhora substancial do quadro clínico do paciente.

Lesões no cotovelo

É importante salientar que lesões no braço e antebraço também podem influenciar o funcionamento adequado do cotovelo, mesmo quando sua estrutura encontra-se intacta. Por isso o médico ortopedista realiza uma investigação minuciosa, com o auxílio de exames de imagens, para descartar quaisquer outros problemas e estabelecer um diagnóstico preciso.

Estão entre as lesões mais comuns no cotovelo:

– Luxação da cabeça radial (cotovelo retraído);
– Síndrome do túnel cubital;
– Síndrome de pronador;
– Bursite do olécrano;
– Epicondilite lateral;
– Epicondilite medial.

Duas inflamações curiosas

Estas duas condições no final da lista, a Epicondilite Lateral e a Epicondilite Medial, também são conhecidas como “cotovelo de tenista” e “cotovelo de golfista”, respectivamente. São inflamações dos tendões, normalmente provocadas por movimentos repetitivos de extensão e flexão do pulso. Muitos pacientes contestam o diagnóstico por não serem praticantes dessas duas modalidades esportivas. Mas, eis a curiosidade: essas patologias não são exclusivas da prática destes dois esportes.

A diminuição da inflamação e fortalecimento dos flexores e extensores do antebraço são o objetivo principal do tratamento da epicondilite. Consequentemente, a reabilitação da musculatura, com foco nos movimentos do punho, é a principal abordagem terapêutica. Mais sobre as epicondilites num próximo post, não percam!

Finalmente, se estiver lembrando algum amor perdido e curtindo a fossa ouvindo Marisa Monte cantando “O que me importa”, com os cotovelos apoiados no balcão do bar –importa sim! Poupe-os, senão pode acabar com uma dor no cotovelo de verdade.